Forum UFRJ

| Fórum Ciência & Cultura Universidade Federal do Rio de Janeiro

Acontecerá nos dias 19 e 20 de outubro, na Casa da Ciência/UFRJ, o seminário internacional Estudos de Televisão: Diálogos Brasil-Portugal. O objetivo é promover o diálogo entre pesquisadores de televisão radicados no Brasil e em Portugal e estabelecer parcerias nas investigações desenvolvidas. Para garantir a troca de ideias, estão programadas duas edições do seminário, a primeira na Universidade Federal do Rio de Janeiro e a segunda nos dias 12 e 13 de dezembro na Universidade do Algarve/Portugal.

Após o encontro acadêmico, haverá o coquetel de lançamento da coletânea Estudos de Televisão: Diálogos Brasil-Portugal (Editora Sulina), que reúne os papers enviados para o seminário. A Casa da Ciência fica na rua Lauro Müller, número 3, Botafogo, e a entrada é gratuita, porém sujeita à lotaçao de 100 lugares. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 3873 5075 ou pelo e-mail: jorggia_silva@hotmail.com. Veja abaixo a programação:

19 de outubro

9h – Credenciamento e brunch

9h45 – Abertura: João Freire Filho (PPGCOM/UFRJ)

10h às 12h30 – Mesa 1

Tendências do telejornalismo brasileiro no início do século XXI: telejornalismo popular e infotainment – Itania Gomes (UFBA)

Representações da multidão política na televisão – Eduardo Cintra Torres (UCP)

Moderadora: Andréa França (PUC/RJ)

14h30 às 17h – Mesa 2

Apontamento sobre a categoria classe social em um estudo de recepção – Veneza Ronsini (UFSM)

A recepção transmidiática da ficção televisiva: novas questões de pesquisa – Maria Immacolata Vassallo de Lopes (USP)

Moderadora: Ana Paula Goulart Ribeiro (ECO/UFRJ)

20 de outubro

10h às 12h30 – Mesa 1

A qualidade do canal 2: percursos teóricos e metodológicos de investigação – Gabriela Borges (UAlg)

Pesquisa em televisão digital no Brasil: uma experiência interdisciplinar
-Yvana Fechine (UFPE)

Reflexão sobre a televisão pública europeia no contexto de transição para o digital

  • Francisco Rui Cádima (UNL)

Moderadora: Fátima Régis (UERJ)

14h30 às 17h30 – Mesa 2

Criadores de ficcção seriada televisiva aqui e acolá. Desafios criativos de roteiristas de telenovelas – Maria Carmen Jacob (UFBA)

A invenção da televisão brasileira – Arlindo Machado (PUC/SP e ECA/USP)

Existir aos olhos dos outros: reality shows, as “aventuras autênticas” de indivíduos em busca de reconhecimento – João Freire Filho (ECO/UFRJ)

Moderador: Bruno Campanela (UFF)

17h45 às 20h – Coquetel de lançamento da coletânea Estudos de Televisão: Diálogos Brasil-Portugal (Editora Sulina)

Isabella Catão

Estagiária de jornalismo

“A teoria literária e suas fronteiras” é o tema do VIII Simpósio da Ciência da Literatura que será realizado entre 17 e 21 de outubro no auditório G-1 da Faculdade de Letras da UFRJ. Entre os convidados está a escritora Josefina Ludmer (Universidad de Buenos Aires), que abordará as literaturas autônomas na palestra “O que vem depois”, o poeta Ferreira Gullar, Roberto Corrêa dos Santos (Uerj), Fabio Durão (Unicamp), Sandra Guardini Vaconcelos (USP) e Henrique Borralho (Uema). Veja abaixo a programação completa do VIII Simpósio da Ciência da Literatura.

VIII Simpósio de Pós Graduação em Ciência da Literatura

A Teoria Literária e suas fronteiras 17 a 19 de outubro de 2011 – Faculdade de Letras/UFRJ

Dia 17 de outubro, segunda-feira: Conferência Auditório G1, 9h30 Prof. Josefina Ludmer (Universidade de Buenos Aires): O que vem depois Coordenação: Prof. Alberto Pucheu (UFRJ)

Sessão de Comunicação 1: Poesia, memória e artes plásticas

Auditório G1, às 14h Coordenação: Prof. Flavia Trocoli (UFRJ) – Louise Bastos Corrêa: “O diário como única forma de sobrevivência: Hospício é Deus, de Maura Lopes Cançado” – Andrea Teresa Martins Lobato: “Escrever-se em memórias” – Francine Pereira Fontainha de Carvalho: “Dilaceramento e (des)amor nas obras de Camille Claudel, Florbela Espanca e Frida Kahlo” – Ricardo Alexandre Rodrigues : “Arquivos poéticos de Arthur Bispo do Rosário”

Dia 18 de outubro, terça-feira Conferência Auditório G1, 9h30 Prof. Henrique Borralho (Uema): “As fronteiras da História” Coordenação: Prof. Vera Lins (UFRJ)

Sessão de Comunicação 2: Poesia e crítica

Auditório G1, às 14h Coordenação: Prof. Ricardo Pinto (UFRJ) – Estela Rosa: “A solidão impossível do verbo ser” – Bruno Rabello Golfeto: “Trabalho e Modernidade em Morte e Vida Severina (1955)” – Luis Guilherme Ribeiro Barbosa: “Alcir Pécora – Comentários sobre um polemista”

Sessão de Comunicação 3: Cultura, história e romance

Auditório G2, às 14h Coordenação: Prof. Marcelo Diniz (UFRJ)

  • Maria Cláudia Simões: “Entrelaçamento entre Literatura e História em The Farming of Bones, de

Edwidge Danticat”- Igor Teixeria Silva Fagundes: “Desantropologia da cultura: terreiro e incorporação no Oriente(no Ocidente!?) do mito” – Henrique Campos Monnerat: “A moda tropicalista e a moda Benjamin” – Solange Santana Guimarães Morais: “O sentimento de liberdade em Nicanor Parra e João do Vale em tempos de ‘chumbo’”

  • Dinacy Mendonça Corrêa: O romance maranhense do século XX – tessitura e expressão feminina

Dia 19 de outubro, quarta-feira: Conferência Auditório G1, 9h30 Prof. Roberto Corrêa dos Santos (Uerj): “Cérebro-Brasil 3: O pensamento” Coordenação: Prof. Flavia Trocoli (UFRJ)

Sessão de Comunicação 4: Entrecenas: literatura e outras linguagens

Coordenação: Prof. Ana Alencar (UFRJ) Auditório G1, às 14h – Priscila Saemi Matsunaga: “Notas de pesquisa sobre Ópera dos vivos da Companhia do Latão” – Maria Clara da Silva Ramos Carneiro: “A nova ‘Bande Dessinée: L’Association e o Oubapo” – Leila Miccolis: “Literatura e palco” – Marcelo da Rocha Lima Diego: “De The postman always rings twice a Ossessione: desvios e atalhos – Cassiana Lima Cardoso: “O jogo em cena: a ludoteca beckttiana”

Sessão de Comunicação 5: A literatura e suas fronteiras

Coordenação: Prof. Teresa Cristina Meireles (UFRJ) Auditório G2, às 14h – Maria Luiza Wilker da Silva Cortes: “O cânone literário e o ensino de literatura na educação de jovens e adultos” – Waldelice Souza: “Distinção entre tipos de pensamentos – a semiologia da conformação do pensamento de matriz africana” – Amanda Garcia Rendeiro: “A ficção aproximando a literatura e as ciências exatas” – Renata Sonheghetti Cauper Pinto: “A recepção da linguagem literária nas crônicas a partir das incursões de João do Rio pelo jornalismo in loco

Dia 20 de outubro, quinta-feira: Sessão de Comunicação 6: Representação e obstáculo Coordenação: Prof. Martha Alkimin (UFRJ) Auditório G1, às 10h – Sonia Branco Soares: “Um rendez-vous com os liberais” – Tatiana Maria Gandelman de Freitas: “Primo Levi – dizer o indizível” – Aline Alves de Carvalho: “Passagens: um ‘bloco errático’ além das fronteiras”

  • Elaine Zeranze Bruno: “Os arquivos falsos da memória: memória e trauma em La Jetée de Chris Marker” – Valderi Ximenes de Meneses: “Erotismo e metalinguagem na poesia contemporânea de Nauro Machado”

Sessão de Comunicação 7: Poesia, Memória e História

Coordenação: Prof. Vera Lins (UFRJ) Auditório G2, às 10h – Nathali Ramos Moura : “Memórias do Sótão ou o sótão das memória: visitando As parceiras, de Lya Luft” – Cristiane Agnes Stolet Correia: “A relação instrínseca entre história e poesia na obra de Miguel de Unamuno” – André Vinicíus Lira Costa: “Por que gosto da poética?” – Carolina de Almeida Zava: “Noite na Taverna: a vigência da memória” – Iran de Jesus Rodrigues dos Passos: “O erotismo e a sensualidade no Auto do Bumba-meu-boi maranhense” – Luciana Barboza: “O olhar para o Setentrião, uma poética do exílio”

Conferência

Auditório G1, às 14h Prof. Fabio Durão (Unicamp): “Por uma crítica da multiplicidade nos estudos literários” Coordenação: Prof. João Camillo Penna (UFRJ)

Dia 21 de outubro, sexta-feira:

Auditório G1, às 11h

Encontro com Ferreira Gullar

Coordenação: Prof. Eleonora Ziller (UFRJ)

Conferência

Auditório G1, às 14h Prof. Sandra Vasconcelos (USP): “O romance em teoria” Coordenação: Prof. Danielle Corpas (UFRJ)

A exposição Canteiro aberto tem como tema o salvamento emergencial da Capela de São Pedro de Alcântara. No decorrer do circuito, estarão dispostos painéis sobre a história e arquitetura do Palácio Universitário e da Capela, detalhes dos objetos artísticos que compunham o acervo e fotos dos fragmentos durante a obra de salvamento. Mobiliário, vestimentas eclesiásticas, fragmentos da escultura de São Pedro de Alcântara, pendente do Santíssimo Sacramento, lustres, dentre outras peças encontradas durante o trabalho de salvamento, também estarão disponíveis aos visitantes. As visitas guiadas serão nos horários de 12h às 13h e 16h às 17h. O acesso à nave da capela não será permitido, uma vez que a área encontra-se bastante fragilizada.

9h às 21h – Átrio – Av. Pasteur, 250 – Urca

Informações e marcação da visita guiada: Camila Bezerra – 2543 6205

Realização: Construtora Biapó e Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ

Quem entrasse no Teatro Carlos Gomes na noite de terça, 4 de outubro, dificilmente acreditaria que todas as 250 pessoas presentes, que lotavam todo o andar de baixo, estavam ali para assistir a performances envolvendo poesia. Música, acrobacias e muita, muita criatividade foi esbanjada pelos artistas que subiram ao palco.

O público foi conferir o evento A Palavra no Centro, no qual os alunos da Universidade das Quebradas (os “quebradeiros”) puderam realizar a sua primeira apresentação artística. Coordenado por Heloísa Buarque de Hollanda e Numa Ciro, o curso de extensão é promovido pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC), do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. Os “quebradeiros” apresentaram uma performance intitulada A Palavra Quebrada, que incluiu dança e teatro.

A crítica social esteve em foco, em especial contra as ações dos governos estadual e municipal do Rio de Janeiro, como a operação Choque de ordem e a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Parodiando Filho maravilha, de Jorge Benjor, os artistas pediram para “sentar o pau na UPP pê pê pê pê”. E quanto ao Porto Maravilha, cobraram. “Faz mais um pra gente ver”.

Apreciar tantos grupos talentosos não custou caro. Por apenas um real, quem esteve no teatro pôde apreciar ainda atrações circenses e vídeos que abordaram também as relações sociais e o amor. Questionamentos sobre o contágio do medo e não do amor e críticas à sociedade contemporânea hiperconectada que parece desconhecer ou não se importar com o problema da fome no mundo estiveram em foco.

Já o grupo do Centro de Experimentação Poética, ao final de sua apresentação, fez questão de convidar todos a participar das oficinas de poesia e performance realizadas na Biblioteca Municipal Machado de Assis, que fica na rua Farani, 53, em botafogo, e acontecem às quintas, das 19 às 21 horas.

Com tanta ousadia e vibração criativa, nem mesmo o orifício localizado no final do intestino grosso foi deixado de lado durante as performances. Tetsuo Takita, ator e aluno da Universidade das Quebradas, em seu poema disse que a famosa e cobiçada região constituía-se na verdadeira alma do ser humano. Era uma boca e “deveria ter dentes”. O poeta encerrou seu texto e saiu de cena andando de costas para o público. Foi aplaudido efusivamente enquanto a plateia podia ver suas costas desnudas. Afinal de contas, “todo mundo quer comer um QU”.

Os artistas animaram a noite até mesmo de quem ficou de fora do teatro. Antes e depois da exibição no palco, os Siderais tocaram seus instrumentos e chamaram a atenção de quem passou pela praça Tiradentes. A Banda de groove rock formada por trompete, saxofone, tenor e instrumentos de fabricação própria, como o souzafone, trouxe música e harmonia ao caótico trânsito carioca no horário do rush.

Rafael Barcellos
Jornalista FCC/UFRJ

Nos dias 14 e 15 de setembro, o seminário sobre os 140 anos da Comuna de Paris lotou o salão Pedro Calmon. Organizado pela Associação dos Docentes da UFRJ (ADUFRJ), pelo Fórum de Ciência e Cultura (FCC), Laboratório de Estudos Marxistas (LEMA), entre outros, o evento promoveu debates e atividades culturais sobre o legado do primeiro governo operário da história do pensamento comunista.

Na conferência de abertura, Claudine Rey, presidente da Association les Amis de la Commune de Paris, apresentou a Comuna de Paris em perspectiva histórica e a defendeu como elemento de memória, de formação política para luta e exemplo de poder do povo, para o povo e pelo povo. A relevância dos 72 dias da Comuna fica evidente diante do caráter da universalização conferido pela participação de estrangeiros no combate e que passaram a ser considerados cidadãos, por exemplo.

Na mesa A Comuna nas obras de Marx, Lênin e Gramsci, os professores José Paulo Netto (ESS/UFRJ), Ronaldo Coutinho (UFF) e Carlos Nelson Coutinho (ESS/UFRJ) abordaram a influência do acontecimento histórico nas obras dos pensadores. Netto defendeu que Marx, mesmo achando o movimento prematuro, “o estimulou a pensar, pois considerou um exercício de democracia real e não um regime do terror, uma simples insurreição”. O objetivo de Marx não foi criticá-lo, mas sim retirar lições daquela experiência.

Para Ronaldo Coutinho, o importante é “manter o sonho vivo”, já que considera Lênin esquecido como pensador. Segundo Lênin, “não é a partir de um certo iluminismo dos intelectuais que haverá mudanças”. Já Carlos Nelson Coutinho acredita que, para Gramsci, mesmo com poucas referências à Comuna, “o movimento foi algo positivo, mas que ainda não era o momento de declarar extinta a burguesia”, assim como Marx considerava prematura a constituição da “ditadura do proletariado”.

Lançamento do livro A Revolução Antes da Revolução, de Karl Marx

Entre a primeira e a segunda mesa, Mauro Iasi, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), promoveu o lançamento do livro A Revolução Antes da Revolução, de Karl Marx. A obra faz parte da coletânea Assim Lutam os Povos e tem como objetivo pensar a revolução proletária no contexto da efervescência das revoluções burguesas no mundo. Iasi brincou com o fato de estar divulgando uma mercadoria em um evento de reflexão socialista: “o livro não será entregue por devolução social porque ainda está na forma de mercadoria. Prometemos melhorar da próxima vez”.

Discussão crítica sobre a causa operária

Na mesa O Poder popular e as organizações dos trabalhadores, Valério Arcary, dirigente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), traçou um diagnóstico do proletariado contemporâneo. A grande maioria dos operários no Brasil não é socialista, diferentemente da década de 80, lamentou. O militante propôs uma polêmica divisão do pensamento marxista: o marxismo acadêmico de um lado e o marxismo militante do outro. “A maior parte dos marxistas acadêmicos não acredita no potencial transformador do proletariado e, às vezes, nem quer muito contato com a classe porque isso representa uma espécie de vigilância comportamental. Vou contar um segredo: a grande maioria dos acadêmicos é formada por extravagantes e excêntricos”.

Gilmar Mauro, militante do Movimento dos Sem-Terra (MST), acredita que o Brasil está entrando em uma fase de retrocessos nas conquistas operárias socialistas. Já Nikos Sekretakis, membro do Partido Comunista da Grécia (KKE), apresentou um panorama do movimento socialista no seu país, marcado por recentes crises.

A Comuna e a questão do trabalho

O segundo dia do seminário foi iniciado pela manhã com a mesa Trabalho, economia e autogestão operária. Marcelo Badaró, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), falou sobre a importância histórica da Comuna de Paris e a possibilidade da classe trabalhadora atuar como sujeito revolucionário.

Em outra perspectiva, Pedro Santinho deu como testemunho sua própria experiência como coordenador de uma fábrica ocupada. A Flaskô, na qual trabalhava, era uma empresa sediada em Sumaré (SP) que foi tomada por seus funcionários após ter decretado falência. Santinho acredita que ações como essa deveriam acontecer com mais freqüência: “estamos discutindo os 140 anos da Comuna sem debater a ocupação da Flaskô em nenhum lugar do mundo. Isso é motivo de lamentação”.

Já Mário Duayer, professor de Economia da UFF, discursou contra a centralidade do trabalho: “ao contrário das outras sociedades pré-capitalistas, é o trabalho que media as relações entre os sujeitos. Nossa sociedade nos reduz a sermos trabalhadores. Marx é contra a centralidade do trabalho. Só na sociedade capitalista há essa centralidade, o que é péssimo”.

A história do hino da Internacional dos Trabalhadores

A atividade cultural sobre a história da Internacional dos Trabalhadores realizada por Victor Neves, músico e doutorando da Escola de Serviço Social da UFRJ, apresentou o hino que “só pode ser entendido no quadro do cancioneiro revolucionário”. Ainda sem o conceito de unidade da classe, esse tipo de música contava as condições sociais, os problemas enfrentados na cidade, no campo e a condição de exploração de mais de 90% da população francesa.

Compositor da Internacional, Eugene Pottier era revolucionário, poeta e militante. Contemporâneo de Marx e Engels, frequentava as gauguettes (espaços boêmios) para ter momentos de descontração, difundir seus textos e discutir ideias revolucionárias. Exilado na Inglaterra, permaneceu lá por alguns anos até a anistia política em 1860. De volta a Paris, conheceu Nodeau que financiou seu livro Quem é o louco? – publicado em 1887 – no qual se encontra a Internacional, composta em 1871. Pierre Degeyter, responsável por musicar a letra de Pottier, não chegou a conhecê-lo.

A Internacional, hino também da União Soviética quando esta foi constituída, é aclamado por comunistas, socialistas, com traduções em várias línguas. No Brasil, representou a unidade da classe desfavorecida do proletariado.

A relevância das mulheres na Comuna

Claudine Rey, Diana Assunção (Agrupação de mulheres Pão e Rosas) e Mirla Cisne (UERN/Consulta Popular) expuseram a dura realidade que viveram as mulheres – fome, frio, intensas jornadas de trabalho e prostituição. Como declarou Rey, o pensamento da época era que “sem o homem, as mulheres não poderiam sair da bestialidade”. No entanto, contrapondo corajosamente esse posicionamento, a participação feminina na Comuna de Paris foi de luta e grande significação. Muitas cuidaram dos feridos nas barricadas, enfrentaram preconceitos, foram reprimidas e morreram. Como declarou Mirla, “elas abriram mão de privilégios e esse é um dos fatores mais revolucionários”.

Ao lembrar a Comuna de Paris de 1871, o seminário ilustrou o acontecimento histórico e demonstrou a força do povo. Reavivando a luta por ideais, ficou perceptível que, com a união, é possível promover modificações na sociedade.

Andrey Raychtock, Isabella Catão, Luís Felipe Sá e Yara Lopes
Estagiários de jornalismo

Dia 4 de outubro, no teatro Carlos Gomes, dentro do projeto Sete em Ponto, acontece evento dedicado à poesia: “A Palavra no Centro” com curadoria de Chacal e do Coletivo Organismo e apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

Na ocasião, alunos da Universidade das Quebradas-UQ/UFRJ apresentarão uma mostra de Slam Poetry intitulada Palavra Quebrada, incluindo dança e teatro. É a primeira apresentação pública dos Quebradeiros enquanto grupo artístico, portanto, não perca. www.tvhare.com

A função começa às 18h com a “Caminhada Esvoaçante Lendo um Livro entre Anjos e Demônios”, puxada pelo grupo Os Siderais, do Real Gabinete Português de Leitura até o Teatro Carlos Gomes, com paradinha na Praça Tiradentes onde serão falados poemas curtos.

17h30 = concentração

18h = saída do cortejo.

18h30 = poemas na Tiradentes.

19h = vídeo de apresentação

19h10 = farani 1

www.faranicincotres.blogspot.com

19h20 = a palavra quebrada- uq/UFRJ

http://www.bloguni.com.br/index.php/2010/05/universidade-das-quebradas/

19h35 = organismo 1 + patrícia carvalho + roberta dittz

http://pt-br.facebook.com/people/Coletivo-Organismo/100000915218915?sk=wall

19h45 = coletivo cachalote

http://vimeo.com/user8256496

20h = farani 2 + chacal

20h10 = organismo 2 + tavinho paes

20h30 = na sala do sino.

http://nasaladosino.com.br/

20h50 = os siderais.

http://www.youtube.com/watch?v=_VQ_7RVJRy0&feature=related

21h10 = fim.

a palavra no centro

da cidade de deus do diabo

a palavra no centro

de cada um de nós

a palavra no centro

o tempo todo lá dentro

a palavra no centro

aqui da praça Tiradentes

Set 14 2011


Outubro é o mês das crianças. E a Escola de Música (EM) tem um presente especial para elas: a ópera infantil “Joca, Juca e o Pé de Jaca”, que será apresentada no Salão Leopoldo Miguez neste mês. A música e o libreto são de Rafael Bezerra, estudante do Programa de Pós-Graduação da EM, e a peça é cantada em português. Estão programadas quatro récitas do espetáculo. Dia 11, às 14h30 e às 18h30; dia 12, às 16h; e dia 14, às 14h30. A entrada é gratuita.

A estória é simples. Os irmãos Joca e Juca aproveitam a ausência dos pais para subir no grande pé de jaca do quintal e se empanturrar com as frutas da árvore. A barriga cheia dá sono, e os garotos não resistem e dormem. No sonho, aprontam toda sorte de travessuras. As gatas, Felícia e Felina, e os cachorros, Janjão e Janjinho, bichos de estimação dos meninos, não deixam por menos e entram também na bagunça. A turminha acaba descobrindo os Mangrudalaprochilabongues, estranhos seres encantados que habitam o espelho do porão, e o resultado não poderia ser outro: uma tremenda confusão capaz de fazer a alegria de crianças e jovens de todas as idades.

A montagem integra o projeto “A Escola vai à Ópera”, coordenado por Maria José Chevitarese, docente da EM que também assina a direção geral. Além da Música, a Escola de Belas Artes participa do espetáculo que envolve mais de 120 profissionais. A meta é atingir um público de três mil alunos da rede pública de ensino, através de parcerias firmadas com as secretarias Municipal e Estadual de Educação e Cultura.

Ao todo 21 solistas se revezam nos papéis principais. A regência é de Cyrano Sales e Lucio Zandoni, e o espetáculo conta com as participações especiais do Coral Infantil da UFRJ e do Brasil Ensemble UFRJ.

Há ainda muitos outros eventos na programação. Confira a seguir e anote na agenda.

estrela Quarteto Guanabara

O Quarteto Guanabara se apresenta no dia 1º de outubro, sábado, no Salão Leopoldo Miguez. O concerto começa às 18h e o grupo é atualmente composto por Daniel Guedes (1º violino), Gabriela Queiroz (2º violino), ambos docentes da Escola de Música, Daniel Albuquerque (viola) e Márcio Mallard (violoncelo). A entrada é franca. Detalhes…

estrela Baixo Contínuo

Marcelo Fagerlande, cravista e professor da Escola de Música, lança dia 4 de outubro, terça-feira, às 19h, na Livraria daTravessa, o livro “O baixo contínuo no Brasil (1751-1851): Os tratados em português”. A obra, que se originou da sua tese de doutorado defendida na UniRio, em 2002, sai pela Editora 7 Letras com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). A Livraria da Travessa fica na Rua Visconde de Pirajá 572, Ipanema, Rio de Janeiro. Detalhes….

estrela Oficina do Choro

A Oficina do Choro, grupo ligado à disciplina Tópicos Especiais e coordenado pelo professor Sérgio Alvares, se apresenta dia 18, às 19h, no Salão Leopoldo Miguez, em um programa dedicado a Pixinguinha. Detalhes…

estrela Tributo à Música Brasileira

Dia 21, o professor Luiz Senise coordena um Tributo à Música Brasileira. O concerto acontece às 18h30, na Sala da Congregação, e do programa constam obras de Henrique Oswald, Brenno Blauth, Osvaldo Lacerda e José Vieira Brandão. Detalhes…

estrela Violão e Violino

Mário Ulloa e Daniel Guedes, docentes, respectivamente, da Escola de Música da UFBA e da Escola de Música da UFRJ, lançam dia 25, às 19h30, com um concerto no Salão Leopoldo Miguez, o CD “Mário Ulloa e Daniel Guedes – Violão e Violino”. Detalhes…

estrela Série Talentos

A Série Talentos, que divulga a produção musical de alunos, ex-alunos, docentes e funcionários da EM, oferece dois recitais no mês de outubro – todos na Sala da Congregação e às 18h30. No dia 5, o Quinteto Lorenzo Fernandez se apresenta e, no dia 30, é a vez do Grupo Signorine.

estrela Eletroacústicas

“Eletroacústicas” é o programa que vai ao ar todas as quartas-feiras, à meia-noite, na rádio MEC FM (98,9 MHz). Dedicado a um dos gêneros mais importantes da experimentação musical moderna e contemporânea, é produzido e apresentado pelo compositor e professor da EM, um dos coordenadores do Laboratório de Música e Tecnologia (LaMut), Rodrigo Cicchelli Velloso.

estrela Concertos UFRJ

Produzido e apresentado por André Cardoso, regente da OSUFRJ, o programa Concertos UFRJ é veiculado pela Roquette Pinto, 94,1 FM, toda segunda-feira, às 22h. As sinopses e o podcast das edições anteriores estão disponíveis no site da Escola.

Programação de Outubro
Data Nome Local Categoria
1 de Out de 2011
18.00 h Quarteto Guanabara Salão Leopoldo Miguez da EM/UFRJ Concerto
3 de Out de 2011
22.00 h – 23.00 h Programa 61 Roquette Pinto (94.1 FM) Programa radiofônico Concertos UFRJ
5 de Out de 2011
18.30 h Quinteto Lorenzo Fernandez Sala da Congregação da EM/UFRJ Série Talentos UFRJ
10 de Out de 2011
18.30 h Mostra 0800, Quarta edição Fundação Casa de Rui Barbosa Escola de Música apresenta…
10 de Out de 2011
22.00 h – 23.00 h Programa 62 Roquette Pinto (94.1 FM) Programa radiofônico Concertos UFRJ
11 de Out de 2011
14.30 h “Joca, Juca e o Pé de Jaca”, de Rafael Bezerra Salão Leopoldo Miguez da EM/UFRJ Ópera infantil
11 de Out de 2011
18.30 h “Joca, Juca e o Pé de Jaca”, de Rafael Bezerra Salão Leopoldo Miguez da EM/UFRJ Ópera infantil
12 de Out de 2011
16.00 h “Joca, Juca e o Pé de Jaca”, de Rafael Bezerra Salão Leopoldo Miguez da EM/UFRJ Ópera infantil
14 de Out de 2011
14.00 h “Joca, Juca e o Pé de Jaca”, de Rafael Bezerra Salão Leopoldo Miguez da EM/UFRJ Ópera infantil
17 de Out de 2011
22.00 h – 23.00 h Programa 63 Roquette Pinto (94.1 FM) Programa radiofônico Concertos UFRJ
18 de Out de 2011
19.00 h Oficina do Choro da UFRJ Salão Leopoldo Miguez da EM/UFRJ Concerto
21 de Out de 2011
18.30 h Tributo à Música Brasileira Sala da Congregação da EM/UFRJ Recital
24 de Out de 2011
22.00 h – 23.00 h Programa 64 Roquette Pinto (94.1 FM) Programa radiofônico Concertos UFRJ
25 de Out de 2011
19.30 h Lançamento do CD “Mário Ulloa e Daniel Guedes – Violão e Violino” Salão Leopoldo Miguez da EM/UFRJ Concerto
26 de Out de 2011
18.30 h Grupo Signorine Sala da Congregação da EM/UFRJ Série Talentos UFRJ
28 de Out de 2011
18.30 h Grupo Cron Salão Leopoldo Miguez da EM/UFRJ Concerto
31 de Out de 2011
18.30 h Eduardo Fernández, violão. Duo Siqueira Lima. Orquestra de Câmara da USP Salão Leopoldo Miguez da EM/UFRJ Festival Internacional de Violões Leo Brouwer
31 de Out de 2011
22.00 h – 23.00 h Programa 65 Roquette Pinto (94.1 FM) Programa radiofônico Concertos UFRJ

Setor de Comunicação da EM/UFRJ

Melodias de canções indígenas, alegria melancólica de João Gilberto e samba são discutidos no III Encontro de Estudos da Palavra Cantada

O III Encontro de Estudos da Palavra Cantada reuniu, de 23 a 26 de agosto, acadêmicos e artistas para, por meio de temas como perspectivas diacrônicas de abordagem e vocalidade e processos sociais, discutir as múltiplas faces da palavra cantada. A conferência de abertura ficou sob a responsabilidade do professor de etnomusicologia da University Of California (Ucla, Los Angeles/USA), Anthony Seeger, que abordou características da fala, da música e a vocalização do povo Suyá (conhecidos, entre eles próprios, como Kisêdjê) – grupo indígena do Alto Xingu, do norte do Mato Grosso, que Anthony estuda há mais de 40 anos.

Seeger convidou o público para entoar o refrão da música English is crazy, do cantor de folk estadunidense, que por acaso é seu tio, Pete Seeger (ouça aqui a música cantada por Pete Seeger: http://www.youtube.com/watch?v=_lCO4vBjneE). A letra, que é sobre contradições da língua inglesa, auxiliou na apresentação do trabalho, assim como as gravações vocais dos povos Suyá. O público acertou todas as vezes que o professor perguntou a que tipo de manifestação aquelas gravações se referiam: discursos políticos, canções, rituais míticos ou conversas informais, mesmo sem entender a língua indígena. Para Seeger, essa rápida experiência mostrou a importância de estudar a melodia e a tonalidade das vozes e não somente o conteúdo e a linguagem.

Anthony Seeger encorajou a troca de experiências entre os presentes no III Encontro de Estudos da Palavra Cantada e demonstrou uma visão otimista do futuro da etnomusicologia: “Espero que este simpósio seja muito bem aproveitado por todos ao longo dos próximos dias e que possamos fazer crescer esta área que, surpreendentemente, ainda é subdesenvolvida em países desenvolvidos.”

Interesse no Brasil foi “culpa” de Claude Lévi-Strauss

Indagado sobre o motivo que o levou a estudar os povos indígenas brasileiros, Anthony Seeger atribuiu a “culpa” ao sociólogo francês Claude Lévi-Strauss. “Ele [Lévi-Strauss] foi o culpado por muita coisa e influenciou muita gente (risos). Além disso, eu tinha um orientador na época de estudante que trabalhava com os índios Kayapós. Ele me falou certa vez dos povos Kinsêdjê, disse que provavelmente havia um material rico a ser estudado e eu tive interesse. Foi o primeiro estudo destes povos no mundo todo.”

Seeger revelou que mantém contatos regulares com os Suyá devido à facilidade atual de acesso àquela região. “Na época em que comecei a estudá-los, em meados dos anos 70, chegar lá era muito difícil. Só conseguia porque a Força Aérea Brasileira (FAB) tinha um projeto de levar pesquisadores para o Alto Xingu (MT). Estive lá em setembro do ano passado e os Kinsêdjê foram, inclusive, me buscar no aeroporto com um veículo próprio. Levo até minhas crianças para a aldeia. Já estabelecemos uma relação de confiança.”

Estilos musicais provocam reflexões sociais

As relações entre música e processos sociais foram o tema central das palestras da tarde do dia 24. Aspectos como “alegria melancólica” das canções de João Gilberto e sua ligação com o projeto utópico de Brasil moderno dos anos 1950 foram apresentados. O pesquisador Walter Garcia Júnior também abordou o estilo dos Racionais MCs e a agressividade provocadora de reflexões sociais.

Já a pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Glaura Lucas, analisou a dinâmica da música afro-brasileira nos rituais religiosos e tradições como o congado. A professora apresentou seus estudos sobre toda a performance, envolvendo as práticas musicais afrodescendentes, da palavra aos movimentos corporais.

O músico e etnomusicólogo Carlos Sandroni tratou das representações étnicas nos gêneros musicais gravados no Rio de Janeiro, de 1902 até 1940. Sandroni refletiu sobre os padrões rítmicos e poéticos constituintes da marca étnica em estilos como o lundu, o jongo, o batuque e o samba. E concluiu argumentando que hoje o samba perdeu a marca de uma etnicidade negra.

O samba construtor da história e cultura popular brasileira

Na tarde do dia 25 de agosto, o foco foi o samba. Ícones como Noel Rosa, Sinhô, Chica da Silva, assim como o coco-de-embolada e o jongo – “avô do samba” – foram objetos de estudo. O debate promoveu reflexões sobre o papel da música na sociedade brasileira e sobre seu passado histórico.

No trabalho De Sinhô para Noel – uma linha de passes de bambas, o professor, escritor e compositor André Gardel procurou estabelecer uma ligação entre os dois. Para ele, essas personalidades foram “mensageiros transculturais, cronistas sonoros da sociedade”, já que transmitiam em suas músicas o que captavam do cotidiano e das mudanças nos costumes.

Com relação às escolas de samba, a pesquisadora e professora da Escola de Comunicação da UFRJ, Liv Sovik analisou Xica da Silva – enredo, 1963, da escola de samba carioca Acadêmicos do Salgueiro. O caso promoveu uma revolução na estética e no conceito dos desfiles por ser sobre uma mulher. Esse resgate da personagem histórica relembrou a ex-escrava que, após ser comprada pelo contratador João Fernandes de Oliveira, casou-se com ele e teve uma vida de nobre (ouça aqui o samba enredo http://www.salgueiro.com.br/S2008/CA.asp?1963).

Ao mostrar outra vertente da palavra cantada, a pesquisadora Elizabeth Travassos demonstrou a semelhança entre o coco-de-embolada e o jongo. O coco-de-embolada é um desafio entre dois emboladores – “cantores” que improvisam versos cômicos e satíricos acompanhados por pandeiros ou ganzás. É oriundo das regiões de exploração da cana de açúcar no nordeste.

Já o jongo é uma dança de conjunto, típica das grandes fazendas de café do sudeste, na qual as pessoas organizam-se em círculo. O jongueiro fica no centro da roda e puxa os cantos que são respondidos pelos participantes que improvisam movimentos corporais. Ambas as manifestações culturais estão associadas à cultura africana no Brasil e influenciaram a formação do samba carioca.

Os estudos apresentados no encontro promovido pelo Programa de Pós-graduação em Música da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (PPGM/Unirio) e pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ (PACC) evidenciam o papel e a importância da análise da palavra cantada para compreender a cultura popular brasileira e sua origem.

Ana Beatriz Pessanha, Andrey Raychtock, Isabella Catão
Estagiários de jornalismo

Entre os dias 17 e 21 de agosto, professores e cientistas de diferentes partes do mundo conversaram sobre espiritualidade, mente e corpo no I Seminário Internacional de Consciência, Mente e Corpo: Perspectivas Orientais e Ocidentais. Realizado pelo Laboratório de Estudos da Índia e Ásia do Sul (Leias/UFRJ) e pelo Programa de Pós-graduação em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social (Eicos/UFRJ) – ambos do Instituto de Psicologia – o evento procurou ressaltar a importância da cultura e dos estudos orientais inseridos na saúde mental e associados à medicina ocidental.

O guru tailandês Dharmanidhi Sarasvati iniciou as palestras do primeiro dia relatando as mudanças dos conceitos de mente e consciência nas filosofias indianas. Segundo ele, na tentativa de entender a relação entre mente e corpo, a evolução da filosofia indiana gerou o Tantra que, julgado como algo que deixava a mente vazia, por anos esteve associado ao hedonismo e à magia negra. Na verdade, explicou Sarasvati, o Tantra auxilia na meditação: “Se a mente fosse um objeto, como propunham os gregos e fenícios, ela não seria capaz de relaxar e até de desaparecer por alguns momentos, o que pode ser alcançado depois de muitos exercícios”, disse o guru.

Atualmente, os estudiosos do Tantra afirmam que a visão da Psicologia moderna como a pioneira nos estudos sobre a mente está equivocada. O contato entre Oriente e Ocidente mostrou que, no norte da Índia e no Tibet, há mais de mil anos já se pensava a relação entre consciência, mente e corpo.

No segundo dia, o professor Armando Ribeiro das Neves Neto, da Universidade de São Paulo (USP), ministrou uma palestra sobre a importância da Medicina oriental como alternativa ao tratamento paliativo baseado em remédios da medicina do Ocidente. Para ele, práticas como massagem, homeopatia e acupuntura devem ser mais valorizadas, especialmente na área de Psicologia. Em seguida, o professor Alexander Moreira, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), apresentou sua linha de pesquisa em experiências de quase morte, mediunidade e reencarnação. Segundo ele, as experiências espirituais podem ajudar a compreender as relações entre mente e cérebro.

No terceiro dia de evento, o guru Dharmanidhi Sarasvati ministrou uma aula prática de Yoga Tantriko. Além de explicar os conceitos básicos do tantra, como o Ultimate Awareness – uma espécie de estado de iluminação espiritual –, Sarasvati orientou o público na realização dos exercícios de meditação. O dia teve ainda outras duas atividades: uma palestra do lama Karma Tartchin, representante do Centro de Budismo Tibetano do Rio de Janeiro, e uma mesa-redonda sobre variabilidade do nível de ansiedade no esporte. No sábado e no domingo, aconteceram cursos práticos relativos ao seminário.

Andrey Raychtock, Luís Felipe Sá e Yara Lopes
Estagiários de Jornalismo

O II Fórum de Interface entre Cultura e Saúde Mental reuniu nos dias 11 e 12 de agosto, no Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub), psicanalistas, professores, psiquiatras, estudantes e pacientes da própria instituição para apresentações e debates sobre formas de expressão ­–utilizadas nos tratamentos de doenças mentais. Para explicar a temática, os palestrantes utilizaram o estudo de personagens cinematográficas que sofrem de algum transtorno mental e pesquisas sobre o discurso psicótico e a sexualidade dos doentes.

O evento começou com a conferência Nize da Silveira: Interseções entre Arte, Cultura e Loucura, proferida pelo professor José Otávio Pompeu (UFRJ), e teve continuidade com a exibição de Dá Pra Fazer (Si Puo Fare), do italiano Giulio Manfredonia. O filme, que mostra como foi iniciada uma reforma na Psicologia moderna, no final dos anos 70, com o objetivo principal de propiciar a interação e o contato entre os doentes, foi seguido de um debate mediado pelo professor e psiquiatra Otávio Domont Serpa Jr. (Ipub/UFRJ). Alguns dos atuais usuários dos serviços do Instituto (nova terminologia para classificar os pacientes), como Demétrio, participaram com depoimentos, discutiram as medidas tomadas no filme – e que estão em prática nas imediações do Ipub –, e compartilharam experiências e eventos.

Em tratamento há mais de dez anos, Demétrio afirmou que “é fundamental essa ligação entre nós, os pacientes, pois isolar os doentes só os mantêm doentes. Isolando-os da sociedade é impossível que eles progridam em seu tratamento e acabam por ficar apenas ocupando um espaço dentro de um hospital psiquiátrico. Eu já tentei suicídio três vezes, passei por momentos terríveis em minha vida, mas com esse trabalho realizado no Ipub (similar ao do filme) eu quase não tenho mais crises e posso voltar pra casa todo dia sem o menor problema.”

A tarde do primeiro dia continuou com uma mesa-redonda sobre loucura e cinema. Um dos debatedores, o psiquiatra e professor Elie Cheniaux, explicou que fez do cinema, devido ao “caráter lúdico” deste, sua fonte de estudo. No livro Cinema e Loucura: Conhecendo os transtornos mentais através dos filmes, do qual é coautor, são analisados personagens de 184 obras cinematográficas com algum tipo de transtorno mental. Cheniaux estudou os filmes Como se fosse a primeira vez, Uma mente brilhante, Um corpo que cai, Sede de viver e observou sintomas de amnésia anterógrada, esquizofrenia, transtorno bipolar e estresse agudo nos personagens principais. Para o professor, os “personagens de filmes clássicos e modernos ajudam os leigos a conhecer e a compreender os transtornos mentais.”

Em Como se fosse a primeira vez, Lucy – interpretada por Drew Barrymore – sofre de uma síndrome fictícia. Cheniaux e J. Landeira-Fernandez diagnosticaram a personagem com amnésia anterógrada, cujas características são inverossímeis e romantizadas no filme exatamente para haver história. Na vida real, o indivíduo que sofre desse tipo de amnésia tem dificuldade ou incapacidade de se lembrar de eventos recentes, mas consegue, quase que perfeitamente, lembrar-se de eventos ocorridos antes do trauma cerebral. Saiba mais sobre as relações entre loucura e cinema assistindo à entrevista com o professor Elie Cheniaux em http://www.youtube.com/watch?v=DkesNSZBxg0 .

A psicanalista Tânia Rivera, também debatedora da mesa-redonda, defendeu que “o cinema é meio louco”, pois permite a observação das cenas em diferentes ângulos. O olhar não é estático como em uma fotografia. “Esse olhar móvel do cinema o torna esquizofrênico”, afirmou Rivera. Além disso, com sensibilidades e histórias particulares distintas, cada um vê e compreende da sua forma.

Lingüística e saúde mental

No dia 12, a mesa-redonda Loucura e Literatura contou com a presença do médico e poeta Alfredo Schechtman, que introduziu a discussão sobre a novela Corpo Santo (exibida nos anos 1980 pela TV Manchete) e questões polêmicas do cotidiano da cidade do Rio de Janeiro, como o estresse enlouquecedor da cidade, a aids, o sexo, histórias de amor. O professor de Letras da UFRJ, André Bueno, apresentou a obra de Torquato Neto, autor romântico da Tropicália, “um visionário” que chegou ao fim da vida aos 40 anos, vítima do álcool e da depressão.

Completando 15 anos, o Clube da Esquina foi a atração seguinte. O programa foi apresentado pela presidenta e pela coordenadora do projeto, Eliud Guerreiro e Adriana Machado, respectivamente. Em seguida, o coral dos internos do Ipub se apresentou sob a regência de Vandré Matias Vidal e encerrou as atividades da manhã.

Ainda no segundo dia, aconteceu a apresentação dos trabalhos de lingüística, da professora Marci Doria Passos e da linguísta Branca Maria Telles Ribeiro. Com o intuito de auxiliar no tratamento de doenças mentais, as especialistas criaram um núcleo de pesquisa com foco no discurso psicótico e na coerência narrativa. O objetivo era construir um referencial e desenvolver um processo de contextualização do discurso do paciente e do médico.

Procurar compreender as necessidades e expressões dos pacientes foi também a preocupação do enfermeiro Cláudio Gruber Mann. Por meio do Prissma (Projeto Interdisciplinar em Sexualidade, Saúde Mental e Aids), são abordadas questões e dilemas diários dos profissionais de saúde mental com relação à prevenção e assistência de doenças sexualmente transmissíveis nos pacientes psiquiátricos com transtornos mentais. Nessa área, existem divergências e polêmicas. Há oito anos, por exemplo, no Ipub, as enfermarias eram divididas não por sexo, como é atualmente, mas em enfermarias de portas abertas e fechadas. Assim, segundo os próprios pacientes, as relações sexuais eram recorrentes e, por isso, muitos pediam para ficar internados na instituição.

Após as apresentações, no aberto espaço para perguntas e debate sobre os temas, alguns pacientes que participavam do Fórum manifestaram suas opiniões e tiraram dúvidas com os palestrantes.

Isabella Catão e Luis Felipe Sá
Estagiários de Jornalismo

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